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Escrito por vam.silva às 15h06
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EQUIPE DO BLOG / GEOGRAFIA NA VEIA

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Escrito por vam.silva às 15h00
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A IMPORTÂNCIA DAS TECNOLOGIAS PARA OS GEÓGRAFOS

 

Mediante as aspirações do ser humano em cada vez mais buscar conhecimentos, que desde os tempos primórdios vem acontecendo  evoluções  para a conquista deste. No entanto um conhecimento já adquirido nunca é pronto e acabado, mas este é a chave para encontrar o novo e assim sucessivamente.

 Como o homem nunca se satisfaz com o saber já produzido, e está sempre a descobrir, criar, inovar, conhecer, etc., que temos hoje diversos meios de tecnologias para atender as atuais aspirações da vida em sociedade. E é mediante esse fato, que o estudo da geografia tem melhorado cada vez mais devido a meios e técnicas criadas pelos homens.

 Instrumentos como GPS, bússolas, satélites artificiais, computadores, entre outros, possuidores de alta tecnologia tem facilitado e melhorado, dando uma maior precisão as informações necessárias para o estudo do espaço geográfico. Ajudando também na melhor formação dos geógrafos, pois estes têm maior facilidade de desenvolver seus estudos, avançar nas descobertas, dominar os dados e informações em pesquisas com maior rapidez e precisão.

            Assim também tem sido o uso de mapas digitais que são elaborados a partir de fotografias aéreas e imagens fornecidas pelos satélites artificiais em órbita da Terra, destes transmitidos a computadores, que por final constituem um grande recurso de que dispõem a cartografia. Essas novas tecnologias têm oferecido ao mundo atual, melhores condições de mapeamento, com exatidão e velocidade. Adas colabora afirmando:

Com o avanço da ciência nos últimos anos, tornou-se mais fácil elaborar o mapa de uma região. No passado, as expedições encarregadas de mapear um território tinham de caminhar dezenas, centenas e até milhares de quilômetros. Iam registrando ou anotando os aspectos do território, as distâncias, as altitudes e muitos outros dados. Demoravam meses ou anos para elaborar um mapa. ( ADAS, 2002, p. 60 )

 

Portanto, na atualidade as tecnologias são de fundamental importância para o acompanhamento da evolução da sociedade, principalmente para os geógrafos que buscam entender com se dá tais evoluções no tempo e no espaço. E para tal estão dispondo de diversos meios, formas, programas, etc., que tem facilitado, melhorado, ajudado, aprimorando, enfim o desenrolar de seus trabalhos.

Tais instrumentos têm trazido também melhorias aos sistemas educacionais, onde estão possibilitando a renovação das metodologias de ensino. Por meios do uso de televisão, radio, vídeo, internet, CDs, DVDs, entre outros, essencialmente nas aulas de geografia.  Mas, porém, deixemos claro que tanta novidade precisa ser bem aplicada, para que resultados positivos possam acontecer, no ensino e na geografia.

  

 

REFERÊNCIAS:

ADAS, Melhem. Noções básicas de geografia. 4 ed. São Paulo: Moderna, 2009

OROFINO, Maria Isabel. Mídias e mediação escolar: pedagogia dos meios, participação e visibilidade. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005

 

Elaboração: Adineide O. dos Anjos



Escrito por vam.silva às 20h43
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Diversidade étnico-racial e Educação no contexto brasileiro: algumas reflexões

O Brasil é um país de grande extensão territorial, intensa diversidade regional, racial e cultural.

• Destaca-se como uma das maiores sociedades multirraciais do mundo e abriga um contingente significativo de descendentes de africanos dispersos na diáspora.

• Essa distribuição demográfica e étnico-racial é passível de diferentes interpretações econômicas, políticas e sociológicas.

• Do ponto de vista étnico-racial, 44,6% da população brasileira apresenta uma ascendência negra e africana, que se expressa na cultura, na corporeidade e/ou na construção das suas identidades.

• Como toda identidade, a identidade negra é uma construção pessoal e social e é elaborada individual e socialmente de forma diversa.

• As identidades e as diferenças implicam processos de aproximação e distanciamento. Nesse jogo complexo, vamos aprendendo, que os contornos da nossa identidade são estabelecidos pelas diferenças e pelo trato social, cultural histórico e político que essas recebem durante seu percurso na sociedade. Características do racismo brasileiro

• Mas em que contexto histórico, social, cultural e político as identidades negras se constroem no Brasil?

• Os negros e negras atuaram e atuam das mais diversas maneiras na busca de uma digna inserção na sociedade brasileira.

• É na década de 80, no processo de abertura política e redemocratização que assistimos uma nova forma de atuação política dos negros e negras brasileiros.

• O Movimento Negro indaga a exclusividade do enfoque sobre a classe social presente nas reivindicações e denúncias da luta dos movimentos sociais da época.

• A esquerda brasileira é cobrada a se posicionar contra a exploração capitalista e também contra o racismo.

• A partir desse momento, a luta passa a focalizar uma intervenção política que caminha em duas direções: a denúncia da postura de neutralidade do Estado frente a desigualdade racial reivindicando-lhe a adoção de políticas de ação afirmativa e a intervenção no interior do próprio Estado mediante a inserção de quadros políticos e intelectuais nas administrações municipais e estaduais de caráter progressista e no próprio governo federal.

• Tudo isso acontece em meio a uma profunda dinâmica cultural e, portanto, interfere na construção das identidades, forma sujeitos e redimensiona valores, lógicas e práticas.

• Nesse contexto de tanta efervescência e de avanços para os setores que acreditam que um mundo é possível, no Brasil, contra-ataca.

• No caso específico da questão racial, a ambigüidade continua sendo uma das formas ardilosas do racismo brasileiro se manter e se expressar.

• Esse racismo ambíguo tem possibilitado formulações discursivas e ideológicas muito peculiares sobre a realidade racial brasileira.

• Assim, o racismo ambíguo brasileiro foi um campo fértil para a construção de ideologias e pseudo-teorias raciais no passado e para a perpetuação da desigualdade entre negros e brancos que se mantém no presente.

• As instituições sociais responsáveis mais diretamente pelos processos de formação humana são chamadas a se posicionar. A escola é uma delas. Educação e estratégias de superação do racismo- negros em movimento

• A escola brasileira ao ser indagada pelo Movimento Negro pela implementação de uma educação anti-racista vive uma situação de tensão entre configurar-se, de fato, como um direito social para todos e, ao mesmo tempo, respeitar e reconhecer as diferenças.

• Um dos resultados dessa nova postura política é a aprovação da lei 10.639, sancionada pelo presidente de República, Luiz Inácio Lula da Silva em 09 de janeiro de 2003, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio das escolas públicas e privadas da Educação Básica.

• Essa nova situação encontra as escolas, os educadores e as educadoras no Brasil em uma situação de insegurança e desconhecimento diante do trato pedagógico da diversidade étnico-racial.

• A escola brasileira, pública e particular, está desafiada a realizar uma revisão de posturas, valores, conhecimentos, currículos na perspectivada diversidade étnico-racial.

• Essa situação revela mais um aspecto da ambigüidade do racismo brasileiro e sua expressão na educação: é somente por força da lei 10.639/03 que a questão racial começa a ser pedagógica e politicamente assumida pelo Estado, pelas escolas, pelos currículos e pelos processos de formação no Brasil. E, mesmo assim, com inúmeras resistências. O Movimento Negro, a luta por uma educação anti-racista e as mudanças no contexto brasileiro

• O Movimento Negro, enquanto movimento social pode ser compreendido como um novo sujeito coletivo e político que, juntamente com os outros movimentos sociais, emergiu na década de 70 no cenário brasileiro.

• Enquanto sujeito político, esse movimento produz discursos, re-ordena enunciados, nomeia aspirações difusas ou as articula, possibilitando aos indivíduos que deles fazem parte reconhecerem-se nesses novos significados.

• Segundo Marcos Cardoso (2002), para o movimento Negro, o cotidiano da população negra é determinado pela estrutura do racismo na sociedade brasileira.

• Essa lacuna na interpretação crítica da realidade racial brasileira, assim como das lutas empreendidas pela população negra em prol da superação do racismo tem impelido o Movimento Negro a exigir do Estado e da escola políticas e práticas educacionais que visem o reconhecimento da diversidade étnico-racial, como é o caso da lei 10.639/03.

• Os problemas de implementação dessa lei não inibem a ação do Movimento Negro na construção de propostas e projetos pedagógicos que contemplem a questão racial.

• A lei 10.639/03 e suas respectivas diretrizes curriculares podem ser consideradas como parte do projeto educativo emancipatório do Movimento Negro em prol de uma educação anti-racista e que reconheça e respeite a diversidade.

• A sociedade brasileira atual convive com uma representação social que cotidianamente se revela dinâmica e multicultural. Algumas iniciativas no campo da formação de professores para a diversidade étnico-racial

• No caso específico da educação, a lei 10.639/03 possibilitou uma série de iniciativas do Ministério da Educação visando a formação de professores para a diversidade étnico-racial, a produção de material didático, a realização de pesquisas e o fortalecimento dos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros.

• Sales Augustos dos Santos (2002) salienta que antes de a lei federal 10.639/03 entrar em vigor, as pressões do Movimento Negro e, conseguintemente, suas articulações com políticos mais sensíveis à questão racial no Brasil, tiveram como resultado a inclusão, por meio de leis, de disciplinas sobre a história dos no Brasil e a História do Continente Africano no ensino fundamental e médio nas redes estaduais e municipais de ensino de várias regiões do país. Concluindo

• É de fato que a discussão sobre a questão racial em específico e da diversidade, de maneira geral ganhou um outro fôlego na sociedade brasileira do terceiro milênio.

• Mas, é certo, que tal situação não se limita aos governos ditos progressistas e nem à esfera do poder do Estado.

• Nesse processo tenso, todos os setores sociais são chamados a se repensar. A educação é um deles.

• A construção de uma educação anti-racista e que respeite a diversidade, depara-se com alguns desafios, e diante de tais, os educadores e educadoras brasileiros, de qualquer pertencimento étnico-racial são convocados a construir novas posturas e práticas pedagógicas e sociais.

• Na perspectiva de Paulo Freire somos desafiados a construir uma Pedagogia do Oprimido. No entanto, a questão racial nos ajuda a radicalizar ainda mais essa proposta. Somos levados a construir uma Pedagogia da Diversidade.

 

Referência Bibliográfica: GOMES, Nilma Lino (org.). Um olhar além das fronteiras: educação e relações raciais. Belo Horizonte. Autêntica, 2007.



Escrito por vam.silva às 15h20
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UNIVERSOS CULTURAIS E REPRESENTAÇÕES DOCENTES: SUBSÍDIOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A DIVERSIDADE CULTURAL.

(PARTE 1)

 

(Ana Canen)

  

 Logo na introdução a autora reconhece a diversidade cultural do Brasil e as desigualdades socias entre os inúmeros grupos que o compõem.

Dentro deste contexto, por muito tempo, a escola ajudou a reproduzir estas desigualdades e a excluir o que é diferente, o que foge aos padrões estabelecidos pelos dominantes.

Para transformar ou apenas amenizar esta situações, se faz necessário, em primeiro lugar, buscar mudanças na estrutura interna das escolas - pois esta é responsável pela reprodução deste sistema, principalmente no que se refere à  determinadas concepções dos professores – visando-se superar a reprodução de estereótipos construidos historicamente.

Para Canen (2001) é preciso que haja uma formação inicial e continuada de professores que os sensibilizem à diversidade cultural e dê­-lhes o subsídio para encara-lá e trabalhá-lha da melhor forma possível.

    Além disso,os professores ainda necessitam refletir sobre suas práticas,sobre o seu planejamento curricular pensando no contexto escolar e na realidade dos alunos, dando-lhes a devida valorização.

 

*     OS CAMINHOS DA PESQUISA

 

    Nesta parte são explicadas os passos que permitiram a concretização da pesquisa: estudo etnográfico, entrevistas semi-estruturadas, diário de bordo, gravações e etc., incluindo também como se deu a escolha da escola que revelaria os subsídios para a pesquisa.

 

*     SITUANDO O OLHAR TEÓRICO

 

    Nesta parte, a autora mostra o referencial teórico que deu suporte ao estudo, como perspectivas da educação baseada na diversidade cultural - assimilação (trasmissão de conteúdos sem questionamento, sem posicionamento quanto ao certo ou errado ou seja, sem explicitar julgamento sobre o assunto), reprodução (criação de uma visão crítico-reprodutivista da educação), aceitação e conscientização cultural (objetivando resgatar o espaço da escola como facilitador de tranformações busca a “tolerância à diversidade cultural” em contrapartida de muitas tentativas de homogeneização da sociedade,tentando ainda ultrapassar os preconceitos).

    Desta forma, para Canen (2001) “enteder multiculturalidade e educação significa vincular educação multicultural à perspectivas de transformação da escola e superação dos mecanismos excludentes no interior de suas práticas cotidianas”. Com o objetivo de viabilzar esta ação, propõe um “mapeamento cultural” do espaço em questão, refletindo a prática docente diante da pluralidade cultural, de forma que permita visualizar todos os grupos étnico-culturais sem, no entanto, reproduzir estereótipos.

Como elementos de reconhecimento da pluralidade  cultural destaca a diversidade lingüística valorizada paralelamente ao trabalho com padrões de linguagem.

    Vale ressaltar que todas essas etapas de reconhecimento da  pluriculturalidade, a autora traz como sendo habilidades que devem ser desenvolvidas no educador diante de seu processo de formação que deve ser de forma continuada.

    No contexto da realização deste estudo, Canen (2001) destaca que apesar dos problemas inúmeros da escola pública brasileira já havia, em alguns pontos e em algumas pesquisas, a valorização dos conhecimentos e da cultura do aluno.

Para se transformar todo o ambiente de repressão (no sentido de separar o que é diferente) da escola era necessário, e ainda é, que as outras instituições também reconheçam a diversidade cultural que compõe a nossa sociedade, tendo em vista que todos os grupos étnicos-culturais têm seu lugar nela, pois, participaram do seu processo de construção histórica, resultando na configuração atualmente existente.

 

*     UNIVERSOS CULTURAIS DOS ALUNOS DA ESCOLA:

AS REPRESENTAÇÕES DOCENTES.

 

A caracterização dos alunos pelos professores se dá através de percepções no convívio escolar, sem nenhuma sistematização, ou por falta de tempo ou por falta de interesse.

Este distanciamento dos professores da escola estudada, da realidade dos alunos torna inviável as “práticas pedagógicas transformadoras”, haja vista que essas só podem acontecer baseadas nas vivências do espaço determinado.

No entanto, estes professores sabem identificar muito bem os alunos quando se referem a atos considerados por eles negativos, ou seja, a reprodução de “estereótipos relacionados às crianças de camadas populares, a referência a seus universos culturais em termos de negação ou desqualificação com relação  àqueles das camadas dominantes e, por conseguinte uma visão da educação ‘compensatória’ das  ‘deficiencias’  culturais nelas apontadas”.

    Sendo assim, a escola permanece no seu aspecto tradicional caracterizado pela transmissão/reprodução de conhecimento e de valores sócio-culturais dominantes, sem considerar as diversidades das formas de ver e de viver de cada pessoa/comunidade/povo - a valorização de uma cultura em detrimento da outra.



Escrito por vam.silva às 02h04
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UNIVERSOS CULTURAIS E REPRESENTAÇÕES DOCENTES: SUBSÍDIOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A DIVERSIDADE CULTURAL.

 

 

(Ana Canen)

  

(PARTE 2)

*     DIVERSIDADE CULTURAL, RACISMO E EDUCAÇÃO

 

Nesta parte, a autora revela o racismo que acontece na escola- alguns professores dizem ter visto situação de racismo entre os alunos. Este professores são criticados por Canen (2001) por apenas trabalharem, aliás reagirem, contra este preconceito quando este se concretiza em sua frente, na sala de aula, relembrando que se deve ter respeito pelo outro.

Em alguns momentos os professores também mostram expressões racistas. Se o preconceito entre os alunos é pouco percebido, entre o professor e o aluno é imperceptível esta ação.

 

*     ESPAÇOS DE RUPTURA:

CAMINHANDO PARA PRÁTICAS DE VALORIZAÇÃO DA PLURALIDADE CULTURAL

 

Apesar das dificuldades de trabalho na escola, devido a inúmeros fatores, os professores se interessaram em conhecer os universos  culturais dos seus alunos. Deste interesse nasceu um protejo acolhido por toda a escola: “o que somos , o que queremos e que precisamos fazer?”, que deveria trazer à tona os elementos constituintes dos universos culturais dos alunos através de atividades e questionários segundo uma perspectiva interdisciplinar. Além disso notou-se também, por parte de algumas professoras, o interesse em “adequar os assuntos ao que elas percebem como universos culturais das crianças.”

No entanto, não pode-se cair numa super valorização do cotidiano esquecendo-se do conhecimento científico e da visão crítica, pois, se isto acontece o fenômeno da educação não pode ser concretizado. Portanto, deve-se haver uma flexibilidade  e combinação destes elementos - cultura dos alunos, visão crítica e conhecimento científico- para que o processo de educação seja executado com êxito.

Ainda como tentativa de ruptura com o sistema  reprodutor de padrões dominantes, Canen (2001) ainda aponta um outro elemento: a utilização de outros recursos além do livro didático, haja vista que este, produzido em larga escala, tende a homogeneizar as situações de ensino, sem considerar as peculiaridades de cada realidade escolar.

 

*     Considerações finais: implicações em formação inicial e continuada de docentes para a diversidade cultural.

 

Reconhecer a diversidade cultural dos alunos dá um peso maior ao sucesso ou fracasso deles, e também promove o aprendizado  de todos envolvidos no processo sem distinção de raça, classe social, sexo, etc.

 Deve-se, já na formação dos educadores, promover uma ruptura com o sistema “ homogeneizador”  cultural que trata em tom pejorativo aquilo que lhe é diferente .

É necessário aproximar escola da vida/universo cultural dos alunos sem esquecer que os conteúdos devem ser trabalhos, e além disso, a visão crítica também deve ser incentivada.

 A formação inicial e continuada deve oferecer subsídios a valorização de diversas culturas além de dar-lhes o suporte teórico para se trabalhar os conteúdos.

Esta modalidade de formação, segundo Canen (2001), deve estar de maneira interligada, “permitindo não só uma inserção do futuro professor na realidade cultural dos alunos e professores daquela escola, como também oferecer a oportunidade de trazer para os docentes da mesma, subsídios acadêmicos para a reflexão sobre as suas representações e seu saber cotidiano” .

Para finalizar, a autora afirma que a perspectiva cultural crítica promove a reflexão da prática docente e ainda, abre um possível caminho para a formação do professor que busca a transformação da escola num espaço onde reina a cidadania sem distinção de raça, gênero, classe social, etc.

 

REFERÊNCIA:

CANEN, Ana. Universos culturais e representações docentes: subsídios para a formação de professores para a diversidade cultural. Educação & Sociedade, ano XXII, nº 77, Dezembro/2001.

 



Escrito por vam.silva às 02h03
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OUTROS BLOGS SOBRE PLURALIDADE CULTURAL

http://desscaminhos.blogspot.com

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Escrito por vam.silva às 17h36
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VAMOS LÁ PESSOAL DAR UMA OLHADA E PARTICIPAR DE OUTROS BLOGS QUE TAMBÉM DISCUTEM QUESTÕES DE PLURALIDADE CULTURAL, E ALÉM DISSO SÃO DE COLEGAS QUE TAMBÉM FAZEM A DISCIPLINA "EDUCAÇÃÇÃO E PLURALIDADE CULTURAL", MINISTRADA PELA PROFESSORA DANIELA M. B. MARTINS, NO CURSO DE GEOGRAFIA, DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA, SERRINHA.

http://desscaminhos.blogspot.com

http://pluralidade.blog.terra.com.br/

http://geoconhecimento.blog.terra.com.br

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http://espacodeculturainterativo.blogspot.com/

 



Escrito por vam.silva às 17h32
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A INTERCULTURALIDADE NO COTIDIANO DE UMA ESCOLA INDÍGENA

 

 

A interculturalidade refere-se a relação entre duas ou mais culturas. Assim, a escola indígena é um foco do binômio intercultural e bilíngüe assegurando as especificidades desses povos que foram perdendo parte de seus costumes culturais a exemplo dos índios brasileiros que através do processo de colonização eram obrigados a falar a língua dominante. No entanto, isso começou a mudar a partir da exigência da interculturalidade nos currículos das escolas indígenas tanto no Brasil quanto em outros países.

 

 

·        A INTERCULTURALIDADE E A QUESTÃO DO CONHECIMENTO

 

 

Em uma escola indígena a interculturalidade está ligada ao conhecimento. No entanto, não é necessário que haja nessa escola professores não-índios e indígenas trabalhando juntos, lado a lado, pois, sabemos que durante muito tempo os indígenas foram considerados povo sem lei, sem rei, fácil de dominar e/ou domesticar segundos os europeus que invadiram o Brasil. Assim, inicia-se um longo período em que educação foi planejada para os índios, seguindo um modelo transplantado de outro povo, de outro mundo, sem considerar a realidade do povo indígena, sua cultura, seu conhecimento.

 

Ainda hoje no Estado Brasileiro a educação indígena sofre repressão, na maioria das vezes são obrigados a seguir programas curriculares determinados por secretarias municipais de educação que ditam como deve ser a educação indígena, não respeitando o modelo de vida desse povo. Como se fosse possível homogeneizar o cotidiano das pessoas, assim, o currículo se traduz numa imposição cultural.

 

·        TRILHANDO OUTROS CAMINHOS

 

Apesar das repressões sofridas pelos europeus na época da colonização, os indígenas resistiram e criaram estratégias que possibilitaram a manutenção das alteridades que diferenciam a cultura própria de cada sociedade indígena. Essas peculiaridades são possíveis de visualização nos processos educacionais em curso. Para PAULA (1999) “há espaços propícios à socialização dos novos membros, como a casa, o pátio de realização de rituais ou casas cerimoniais”. (PAULA, 1999, p. 80).

Em algumas tribos as crianças são ensinadas desde  cedo a ter autonomia, a educação de rapazes e moças são diferenciadas segundo a divisão social do trabalho. Desta forma, a educação é pensada como um processo contínuo, e não um produto pronto e acabado. A socialização dos novos membros é responsabilidade do grupo todo. Para isso é necessário a autonomia do educando para o êxito do processo.

 

·        OS TAPIRAPÉ E A ESCOLA

 

Os Tapirapés são uma sociedade indígena que teve sua população dizimada pela exploração e/ou epidemias que antes não existiam entres eles. Entretanto, esse não é o único problema enfrentado por esses índios, visto que a partir da década de 60 eles tiveram seu território invadido pelos grandes latifundiários na região norte do Brasil, processo acentuado numa guerra pela posse de terra. Nessa perspectiva, os índios Tapirapés pediram escolas para se instrumentalizar na luta pela defesa do seu território.

Com isso, pode-se perceber as desigualdades presentes entres essas duas sociedades, duas culturas. É neste momento que devemos perceber as falhas dos projetos educacionais, que não atendem a estas peculiaridades ao repetir o modelo assimilacionista. Nesta visão o aluno é considerado como um mero receptor de uma educação pronta e acabada, ou seja, nesse projeto educacional o que vale é a embalagem ao invés do conteúdo, desconsiderando conseqüentemente a aprendizagem construída pelo educando.

 

·        VIVENDO A INTERCULTURALIDADE NO DIA-A-DIA

 

A partir de 1988, a escola dos índios Tapirapés foi reconhecida como escola estadual, cuja metodologia é intercultural, abordando desde conteúdos oficiais até o conhecimento construído pela comunidade indígena. Assim, a proposta dos Tapirapés é desenvolver uma educação voltada para vivência dos índios, para que o conteúdo não acabe em si mesmo. Vale ressaltar ainda que os educadores dessa comunidade utilizam também os recursos tecnológicos, fazendo uma articulação destes com seus critérios culturas próprios.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

Para que haja uma verdadeira interculturalidade entres as duas sociedades (indígena e não-indigena) é necessário fazer um intercâmbio entre essas culturas, num processo contínuo de reciprocidade. No entanto, não basta apenas inserir elementos da sociedade ocidental na educação indígena, mas também, levar esse conhecimento dos povos indígenas para educação nacional, numa perspectiva dinâmica e com possibilidades integradoras nos processos educativos de cada povo.

 

 

REFERÊNCIA:

 

PAULA, Eunice Dias de. A interculturalidade no cotidiano de uma escola indígena. Cadernos Cedes, Ano XIX, Campinas, v. 19, n. 49, p.76-91, dez. 1999.



Escrito por vam.silva às 17h18
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Escrito por vam.silva às 22h27
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MOVIMENTOS ANTIGLOBALIZAÇÃO

 

Como a própria nomenclatura sugere, trata-se de um movimento social que tem como oponentes os organismos que visam a globalização de forma exacerbada, cujas ações têm reflexos negativos diante da população desfavorecida.

Segundo AZAMBUJA (2003), desde a realização do 1º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, RS, em 2001, circulam na Internet textos diversos deixando clara a existência de uma articulação dos milhares de movimentos comunistas e de antiglobalização em todo o mundo.

Vale destacar que estas articulações, entre as entidades que dão base aos movimentos sociais, ocorrem sob a configuração de redes, pontos interconectados segundo um interesse comum próprio, principalmente através de redes de comunicação, sendo que o instrumento mais utilizado para esta ligação é a internet, haja vista que geralmente tratam-se de organizações de diversos países, com suas agendas particulares.

Esta configuração em redes também é utilizada como forma de horizontalizar as relações  e compartilhar as decisões a serem tomadas.

De acordo com AZAMBUJA (2003), estas atuações em redes valem-se apenas dos "nós", em cujas intercessões unem horizontalmente milhares de organizações que contestam, de uma ou outra forma, a atual ordem mundial. Estas podem crescer sem estar obrigado a ceder sua própria individualidade a alguma estrutura hierárquica.

Com isso, busca-se uma forma de propiciar um mínimo de coesão aos chamados movimentos antiglobalização e colocar um tanto de ordem ao “caos das ruas”, ocasionados pelas suas gigantescas manifestações, bem como ao grande número de causas e “palavras-de-ordem” destas manifestações ocorridas concumitantemente às cúpulas de governos e reuniões de organismos internacionais (como o FMI, Bird, BID, OMC, G8, etc).

Como exemplo AZAMBUJA revela alguns movimentos como o surgido na Itália, “que tem entre seus objetivos recuperar criticamente a experiência histórica e política da nova esquerda e do movimento operário e comunista em geral, assim como participar nos esforços que vêm sendo desenvolvidos no sentido de refundação teórica do marxismo", e o "Fórum Mundial de Alternativas", como um exemplo de "redes".

“Este forum é uma articulação internacional da esquerda radical que detém influência dentro do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial, que por três vezes teve Porto Alegre, RS como cenário.”

Segundo Azambuja a organização em "redes", de forma horizontalizada é estratégica. Como exemplo disso discorre sobre a "Rede Liliput", que tem como líder moral  o sacerdote católico Alex Zanotelli, um ativista da Teologia da Libertação e da esquerda católica italiana, o qual o considera como uma espécie de Frei Beto da Itália.

“A denominação e o estilo de atuação da ‘Rede Liliput’ é uma referência à obra do escritor irlandês Jonathan Swift, nesta referida obra uma multidão de anões conseguiu neutralizar o gigante Gulliver.

A estratégia ‘liliputiana’ consiste em tecer uma rede mundial tão abrangente quanto possível, sempre ganhando espaços e influência ante a opinião pública, objetivando obter o isolamento, desprestígio e cerco sempre mais estreito em torno do Gulliver atual, designado pelo neoliberalismo e pelos Estados Unidos.”

A tática, para Azambuja, é invisibilizar as ações, com inspiração no movimento zapatista de Chiapas, México, busca-se dificultar a identificação, pelo adversário, dos sujeitos que estão opostos a ele.

Para este autor ainda, o principal objetivo das "redes" é levar milhares de pessoas às ruas das principais cidades da Europa e EUA,

“em passeatas contra o governo norte-americano e os países do G-8, quando da realização de reuniões do Fundo Monetário Internacional, Organização Internacional do Comércio, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Organização Internacional do Trabalho, Organização do Tratado do Atlântico Norte, do próprio G-8 e outras instituições internacionais, bem como impulsionar uma Europa fora da OTAN, aliada à Rússia; incentivar uma aproximação entre Rússia e China; e estabelecer contatos visando apoiar por todas as formas os possíveis movimentos de contestação dentro dos EUA, buscando criar na opinião pública norte-americana um contrapeso ao governo conservador e buscando alentar a participação dos crentes, principalmente católicos, nesses movimentos.”

Dessa forma, Azambuja afirma que não foi ingenuamente que a Índia – “país aonde, nos últimos anos, vêm sendo multiplicadas as insurgências sociais” - foi escolhida para sediar o 4º Fórum Social Mundial, em 2004. “Nessa escolha estaria embutido o interesse estratégico de impulsionar a revolução no Continente Asiático, dando ‘respaldo social’ a essas insurgências.”

O sistema de "redes", para este autor, além de suas óbvias vantagens , têm sido apresentado, por participantes do Fórum Social Mundial “como um modelo de ‘globalização alternativa’, de relacionamento social que estaria resgatando os objetivos anti-hierárquicos e igualitários do socialismo marxista e gramsciano” isso de acordo com o professor Alexander Vladimir Buzgalin, da Universidade de Moscou, diretor da revista marxista ‘Alternativas’, em seu estudo ‘Alter-Globalismo e Novos Movimentos Sociais: Teoria e Política’ (2003), distribuído e comentado durante a realização do 3º FSM.

Para Azambuja as "redes", com suas estratégias, seu poder e seus objetivos, impressionam pela sua forma de agir inédita e que seria um grave erro subestimá-las, porém, elas também não são invencíveis, “pois simplesmente deixar a descoberto suas metas revolucionárias e deixar claro que por trás da aparente espontaneidade desses movimentos de contestação existe toda uma teoria de ação revolucionária, tira-lhes boa parte de sua força de impacto, o que parece ser o seu ‘calcanhar de Aquiles’ “.

 

 

 

REFERÊNCIAS:

AZAMBUJA, Carlos I. S. A nova face dos movimentos antiglobalização. Agosto 13, 2003. Disponível em <www.midiasemmascara.org>, acesso em 25/05/08

 

(PRODUZIDO PELA EQUIPE)



Escrito por vam.silva às 21h49
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Capitulo III

 

O Lugar Controlado

 

Certeau utiliza os conceitos de espaço e lugar através de uma diferenciação, para ele estes não se opõem mas fazem parte da complexidade em que se insere a dinâmica das sociedades. Assim Certeau compreende lugar como “lugar próprio” organizado e estável, a partir de estratégias, para ele se trata das relações de poder através de um objeto, que organizam e determinam a administração dos lugares. Ele vê a escrita como um grande procedimento estratégico de organização da sociedade.

 

A maquina escriturística

 

Para Certeau a escrita é um mito articulado pela heterogeneidade e simbologia de uma sociedade, tornando-se auto-reguladora, tem como elementos principais: Uma pagina em branco, o texto e o objetivo estratégico da mensagem. Assim a escrita se faz importante por tornar viva a história passada. Nesse sentido há uma perda da importância que tem a palavra, desse modo se destaca que o “ser se mede pelo fazer”, tem se o texto como substituto da palavra.

Pela escrita ter se tornado uma representação da fala, em um certo período perde sua credibilidade, o que não significa que ela deixa de ser um procedimento estratégico tendo em vista sua necessidade atual e sua importância na organização do lugar.

 

Foucault por Certeau: Um contador de relatos

 

Josgrilberg apresenta Foucault a partir de suas analises da organização disciplinar alem de termos como panóptico, governabilidade e aparato disciplinar que foram enfatizados por suas obras. Ele ainda vê Foucault como um propagador das idéias que tratam o sujeito como passivo, apesar de apresentar as estruturas da sociedade de forma mais dinâmica que na versão de Certeau. Josgrilberg acredita que é mais apropriado analisar  o aparato disciplinar de Foucault sob a ótica das estratégias de Certeau, já que para ele Foucault se baseia em procedimentos estratégicos podendo ser consideradas táticas de questionamento de um poder articulado.

Certeau se preocupa com o discurso de Foucault pelo seu status e sua assimilação, já que há operação de controle no que se refere ao poder. Ele ainda vê em Foucault a busca por uma junção entre o código penal e as ciências humanas, materializada nas técnicas de poder e, segundo Foucault, esta utiliza três principais tecnologias: A punição tirânica, a punição analógica e a instituição administrativa. Assim o individuo que de certa forma fosse contrario as técnicas de poder implementadas por um dominador (o príncipe ou imperador) sofreria duras penas.

Foucault traz a disciplina como métodos que possibilitam o controle de corpos adquirido através de técnicas como divisão, prescrição de ações, exercícios e táticas, o que possibilita a organização do espaço no intuito de controlar as atividades do lugar, isso só é possível a partir da organização do tempo, do numero de repetições e da ocupação de um lugar especifico. Segundo  Josgrilberg  é nesse sentido que, Certeau e sua maquina escriturística  e Foucault com o aparato disciplinar, se encontram. Embora Certeau destaca as possibilidades de resistência dos corpos envolvidos nesse processo, mesmo não negando a importância dos estudos de Foucault como inovadores.

 

Historia e a busca do Outro

 

Certeau tem história como pratica disciplinar, seu resultado e relações, ele ainda a percebe a partir da necessidade em organizar o seu lugar bem como perceber o Outro. Segundo Josgrilberg  as operações de controle  e organização do espaço são diferenciadas devido ao método empregado e a cultura ou a cultura em que esta inserida, podendo variar também a depender do período histórico, assim é notória a complexidade de praticas em uma mesma sociedade.

A história se constitui de dois elementos básicos: O conhecido, isto é, o objeto de estudo; E o implicado que é produzido pela ciência, para Certeau ela só poderá ser escrita a partir do lugar em que ocorrem os fatos, é necessária também uma diferenciação a transformação da natureza pelo historiador, a depender do lugar bem como das técnicas de produção utilizadas, e a cultura. Pode se dizer que o objeto de estudo é controlado por estratégias e analises a partir do lugar próprio fruto das relações de poder. Assim a historia também é utilizada como instrumento de poder já que sustenta  a autoridade de forma a possibilitar uma permanência daquele que sempre o foi, alem de fornecer elementos políticos para que o poder seja exercido. As estratégias históricas, segundo Certeau, são a divisão entre presente e  passado, a segregação religiosa e a separação entre discurso e corpo.

 

A cultura popular

 

Este pode ser considerado também um discurso sobre a auteridade a partir de analises históricas. Certeau não concorda com a divisão entre elite e popular, proposta por intelectuais franceses, pois acredita que esta minimiza a importância da cultura popular, além de muitas vezes a tornar uma realidade distante ou até mesmo esquecida, excluída.

A titulo de conclusão “a idéia de ‘lugar’ sugerida por Certeau aponta para uma organização de espaço onde o tempo e a posição dos elementos constituinte é controlada” (JOSGRILBERG,2005,p.71). Assim pode-se dizer que as táticas utilizadas nos espaços são também as praticas dos lugares, já que um não se desvincula do outro pois para Certeau não há organização espacial totalmente autônoma.

 

 

 

Capitulo IV

 

 

  O Lugar Praticado

 

Inicialmente Certeau traz que “o espaço é um lugar praticado” , O espaço entendido enquanto categoria analítica geográfica, onde se constituir as relações sociais.  Assim o lugar é organizado para o controle das relações. No entanto, as “brechas” encontradas por esses agentes sociais tornam o espaço estável em dinâmico viabilizando o lugar praticado, ou seja, esses agentes têm ações próprias que da vida e sentido a esse espaço.  Sendo assim, esse espaço deve considerar  as direções, a velocidade e o tempo do movimento dinâmico.

Sintetizando, o texto traz que dentro de um lugar controlado existem   possibilidades de haver um lugar praticado, como se ambos caminhasse lado alado, cabendo aos agentes sociais escolher se libertar ou continuar na corda bamba. Entretanto, o equilíbrio é fundamental para amparar situações cotidianas constantes, tendo por base que o ser não estar mais entranhado em sua essência, mais no legado que ira deixar, ou seja, “o ser se mede pelo fazer”. Logo após o autor salienta a linguagem enquanto movimento e decifrá-la é uma arte que estabelece relações com o lugar e conseqüentemente suas transações. Abrindo assim, um espaço místico dentro do discurso, onde o eu se constituir em não- lugar. Dessa forma, a linguagem em destaque a oral é um fator imprescindível para a originalidade de uma ciência assim como a dinâmica das relações. Para enfatizar o autor compara a leitura e sua interpretação ao lugar praticado.

No que concerne ao valor teórico da ficção, o autor utiliza-se dos exemplos de Foucault, abrangendo as questões culturais, pois, para o autor um relato esconde varias parte do acontecido. Incluindo os limites impostos pela linguagem, já que para o autor o estudo da cultura deveria estar centrado em três pontos principais: o oral, o ordinário e o operatório. Assim, o crer partira da premissa de que o outro é responsável pela construção da crença de outrem através das relações sociais, o que enfatiza o valor teórico da ficção.

A mídia se constituiu em das principais estratégias para formação de opiniões e conseqüentemente o controle do publico alvo. “a produção televisiva faz parte do lugar (espaço controlada) no qual o receptor está inserido. É dentro desse lugar que o receptor atua (lugar praticado), obedecendo a temporalidade” (Josgrilberg apud Certeau). Esse processo é chamado de antidisciplina.

O espaço e o lugar se constituir em uma relação dialética que não se resume em uma única estratégia, ou seja, não é uma síntese.

 

 

 

REFRÊNCIA

 

JOSGRILBERG, Fabio B. O lugar controlado; o lugar praticado. In: Cotidiano e Invenção: Os espaços de Michel de Certeau. São Paulo: Escrituras Editora, 2005, p. 49-107. (Coleção Ensaio, 32).



Escrito por vam.silva às 14h36
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A Cultura e a Geografia

 

            Um extenso e diversificado conjunto de conhecimento e realizações desenvolvidas pelo homem em sociedade, sendo acessível a delimitado grupo, aliado as representações simbólicas, de produtos e de condutas exposta pelos mesmos ao longo de sua história. E ainda tudo que fazemos, pensamos ou sentimos enquanto membro de um grupo, ou seja, quando participamos de qualquer forma de existência coletiva estamos fazendo, criando e desenvolvendo cultura, como afirma Tylor: “Cultura é este conjunto complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, moral, lei, costumes e várias outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. (TYLOR, apud. MELO, 1987, p. 40)

            As culturas são produzidas pelos grupos sociais ao longo das suas histórias, na construção de suas maneiras de subsistência, na organização da vida social e política, nas suas reações com o meio e com outros grupos, na construção de conhecimentos, entre outros.

            A diferença entre culturas é fruto da singularidade desses processos em cada grupo social. Por tanto, a preocupação com a cultura é um fato contínuo da humanidade. A todo o momento buscamos entender as direções que levaram as civilizações a se organizarem, bem como, compreender as perspectivas futuras de relacionamento entre elas.

            No entanto é por meio da educação que as pessoas conseguem ensinar umas as outras como fazer as coisas, ou seja, ensinam como devemos aprender “algo”, (educação aqui colocada num sentido mais amplo, não pensando apenas na educação escolar). Dessa forma o ser humano consegue transmitir seus conhecimentos para outro, seja aqui na sociedade brasileira, numa tribo indígena, numa grande metrópole, ou num pequeno vilarejo “escondido” da agitação do mundo das tecnologias. Ainda que ocorra em todos os espaços, o processo de transmissão não acontece de uma única forma, porque vivenciamos a diversidade cultural. Cada cultura se diferencia de outra porque cada sociedade possui uma identidade, seja nos costumes, nas formas de habitação, no vestuário, no trabalho, etc.

            Porém, a cultura pode ser entendida por duas definições: uma é a que o senso comum normalmente utiliza (é o conhecimento do dia-a-dia, e se obtém pela experiência cotidiana), como define Martins, “O senso comum é comum não porque seja banal ou mero e exterior conhecimento. Mas porque é conhecimento compartilhado entre os sujeitos da realidade social”.(MARTINS, 2000, p. 59). E a outra segundo a definição cientifica (visão antropológica – cultura sendo um conjunto de normas que sugerem o correto relacionamento dos indivíduos com a sociedade e com a natureza, em que introduz dizendo como o mundo pode e deve ser classificado). Podemos observar tais fatos nas palavras de Herskovits:

 

Está no fato importantíssimo de que a antropologia, centrando sua atenção no homem, leva em conta todos os aspectos da existência humana biológica e cultural, passado e presente, combinando esses diversos materiais numa abordagem integrada do problema da existência humana. Diversamente das disciplinas que tratam de aspectos mais restritos do ser humano, a antropologia frisa o princípio de que a vida não se vive por categorias, mas é uma corrente contínua. (HERSKOVITS, apud. 1987 p. 34 – 35)

 

 

            Assim podemos observar que a antropologia compreende como cultura as diferentes características de viver em sociedade dos diferentes grupos, averiguando-nos mais variados aspectos, para buscar entender as peculiaridades pretéritas, presentes e possivelmente futuras dos indivíduos.

            No entanto é necessário termos em vista o cuidado na maneira como é ou será visto a cultura do outro – cuidado com o etnocentrismo (visão do mundo a partir do seu grupo tomando-o como centro de tudo, e os outros sendo vistos mediante definições particulares dos valores, modelos e definições do que é a existência). Porque se aplicado ao exagero poderá se transformar num problema social muito sério. Assim é preciso entender que devemos compreender a cultura do outro com base na cultura dele, observando o outro simplesmente como diferente e não como estranho (visão relativista).

Quando vemos as diferenças entre as diversas culturas, passamos a compreendê-las de modo mais amplo e menos preconceituosos, dessa forma estão fazendo com que as relações humanas sejam mais enriquecidas. Uma vez que a diversidade contribui para ampliar nosso conjunto de conhecimentos, nossas aprendizagens. Mediante o conhecimento de outras culturas, podemos enriquecer nossa visão enquanto membros de um grupo social, podendo a partir daí observar melhor as razoes da realidade social onde estamos inseridos, como ela é mantida, bem como as possibilidades de modificá-la. Todavia, as culturas estiveram e sempre estão sujeitas a transformações históricas, pelas influencias das atitudes dos grupos sociais ou também por força de culturas externas.

Como é sabido a Geografia tem como objeto de estudo as ações humanas na modelação/remodelação dos espaços geográficos, este sendo construído mediante a cultura de cada etnia. Assim, podemos observar que a cultura não pode está oposta a geografia, porque está poderia até deixar de existir em sua totalidade sem a presença da outra. Para compreender a ocupação dos territórios, a constituição das populações, a produção das riquezas, da miséria e da injustiça, as diversidades regionais, os processos de dominação desenvolvidos pelos grupos sociais em diferentes momentos, as paisagens, entre outras, faz se necessário a incorporação dos conhecimentos da cultura de cada povo para absorver de forma compreensiva o objeto de análise da Geografia.

Da mesma forma, para compreender a formação cultural de um povo, tanto no que se refere às tradições quanto em relação aos processos históricos de formação e ocupação do espaço, a geografia também poderá vir a contribuir, buscando explicar os fatores físicos como possíveis dominantes dos costumes locais desenvolvidos.

Para tanto, podemos concluir que cultura é uma amplitude de diversidades das vivências humanas construídas em cada espaço seja no passado, presente ou futuro. E deveremos compreender que a cultura do outro não é atrasada, engraçada, feia, bonita, anormal etc. É simplesmente diferente e rica. Diante de tais fatos a geografia ficará ainda mais enriquecida com a incorporação da cultura dos povos em seu estudo, sendo esta uma ciência que incorpora ciências afins e que está sempre buscando novos meios para tornar-se mais completa.

 

Referências:

GEERTZ, Clefford. O Saber local. 2. ed. Rio de Janeiro. Vozes, 20..

MARTINS, José de Souza.  A sociabilidade do homem simples: cotidiano e história na modernidade anômala. São Paulo: Hucitec, 2000.

MELO, Luís Gonzaga de. Antropologia cultural: iniciação, teoria e temas. Petróplolis, Vozes, 1987.

 

Elaboração: Adineide O. dos Anjos         

Escrito por vam.silva às 15h57
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MERCADO MUNICIPAL DE BARROCAS E A CULTURA QUE O COMPÕE

 

Introdução:

           

É natural dos seres humanos viverem em sociedade, porque para sobrevivermos necessitamos do convívio coletivo principalmente nessa sociedade contemporânea. Mas, para que esse convívio coletivo possa existir de maneira conciliável precisamos cumprir regras, leis e princípios impostos por alguns que detêm um “poder” maior sobre os demais e que esses demais “a massa” deve os seguir para haver um possível convívio harmônico dentro das relações sociais. Diante essas afirmações analisaremos a cultura das pessoas no Mercado Municipal de Barrocas, para tirarmos algumas conclusões relacionando esse “lugar” com as idéias trazidas por Josgrilberg em seu texto: “O lugar controlado e o lugar praticado”, a partir das idéias de Michel de Certeau.

         Escolhermos esse espaço por ser um lugar público bastante freqüentado por muitas pessoas de várias localidades, que vão para comprar, vender, se divertir, encontrar os amigos, enfim. Pois acreditamos, pelas características ser um lugar praticado e controlado como buscaremos esclarecer no decorrer do texto.

 

 

Lugar como identidade pessoal

 

         O espaço em questão se localiza na Praça São João Batista na cidade de Barrocas – Ba, está estruturada em dois compartimentos comerciais (frente), e atrás o Mercado de carne verde (este independente do primeiro). Por já conhecer o espaço em analise, buscamos fundamentar nossas inquietações que foram aguçadas ao lermos o texto “O lugar controlado e O lugar praticado” de Josgrilberg, e para tanto realizamos várias visitas ao local, procurando observar como se dão a movimentação de pessoas, buscamos ver e registrar imagens através de fotografias. Em outro momento retornamos ao local para coletar dados por meio de entrevistas a alguns comerciantes pioneiros e freqüentadores.

         De inicio em nossas primeiras visitas constatamos que o compartimento comercial é subdividido em duas repartições distintas, uma dividida em 13 Box, onde são comercializados cereais como; farinha de mandioca, feijão, milho, farelo de trigo etc. Enquanto que no outro há uma divisão em 23 Box, e as mercadorias são diversificadas, variando de Box para Box. Exemplo: em alguns é vendido bebidas em geral, outros, porém, comercializam derivados de couro, alimentos etc.

         Quando voltamos ao local para colher informações usamos com método um questionário direcionado aos comerciantes, dos quais entrevistamos aqueles que abrem seus estabelecimentos todos os dias e que também são os que têm mais tempo de trabalho, inclusive um deles é o responsável pelo controle e organização desse espaço. Este foi o primeiro entrevistado. Quando lhes perguntamos por que é o senhor o responsável em abrir e fechar o mercado? Ele respondeu que a responsabilidade foi passada de pai para filho e também foi indicação de algumas pessoas. Depois perguntamos se existia um controle para a movimentação do mercado? Ele então afirmou que sim, inclusive o horário para abrir e fechar era estabelecido pela Prefeitura da cidade, e que ele o fazia cumprir, 19:00 horas para o lado dos cereais e 20:00 horas para a outra repartição, esta tem um horário de funcionamento específico até as 21:00 horas aos sábados, pelo motivo da movimentação de pessoas ser maior.

         Perguntamos se existiam regras que deveriam ser cumpridas por todos e se eram cumpridas? Respondeu que sim, tais como: não fazer sujeira, não colocar sacos fora do Box, não transitar com bicicletas ou motos, não colocar som com alto volume, e ainda afirmou que todos cumpriam, o não cumprimento resultaria em uma “bronca” sua, e que o fazia cumprir. Por final perguntamos se existia harmonia nas relações entre comerciantes? Ele disse que sim, todos se entendiam e tinham relações de amizade.

         Após essa entrevista, foram feitas mais duas com outros dois comerciantes e eles tornaram a confirmar as mesmas respostas do primeiro.

         Contudo, diante do que podemos observar nas várias visitas a esse local, além dos depoimentos coletados podemos entender que esse espaço é um “lugar” para aqueles que dele tiram seu sustento e chegamos a essa conclusão quando, nas várias conversas formais que tivemos com os comerciantes em questão afirmaram: “quando não venho trabalhar chego a ficar até doente”. Como sabemos:

(...) a categoria lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça, onde se brinca desde menino, a janela de onde se vê a rua, o alto de uma colina, de onde se avista a cidade. O lugar é onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico. ( BRASIL, PCNS, 1997, p. 112)

         Assim podemos entender que mesmo sendo um espaço público de trabalho e lazer é um lugar de vivência para muitos e também um “lugar controlado”, como vimos acima nas respostas das entrevistas, bem como as idéias de Certeau.

(...), a idéia de “lugar” sugerida por  Certeau aponta para uma organização de espaço, onde o tempo e as posições dos elementos constituintes são controlados. A aparência de estabilidade é sustentada pelas relações de poder que dissimulam suas condições de produção (JOSGRILBERG, 2005, p. 71)

 

         Além de ser um “lugar’, um “lugar de vivencias”, um “lugar controlado”, ainda o é um “lugar praticado”, isso porque devido ao grau de movimentação de pessoas que vão para as mais variadas obrigações, este o torna um lugar apenas praticado por aqueles momentos de uso, que derivam de minutos, horas ou até dias. Ou seja, tais pessoas só usam ou precisam desse espaço no momento de sua necessidade ou prática e que após, possivelmente não apresentarão qualquer afinidade com o mesmo. Como afirmou Certeau “o espaço é um lugar praticado”(IQI, apud. JOSGRILBERG, 2005, p.73). Assim podemos compreender que: “O lugar praticado, no entanto, enfatiza a ausência de um lugar próprio para as táticas e os movimentos cotidianos operarem”. (JOSGRILBERG, 2005, p. 73).

 

Conclusão:        

Todavia, esse trabalho nos apresentou fatos que vieram a contemplar nossas inquietações, pois como sabemos toda e qualquer pessoa possuem cultura e quando se entra em contato com uma multiplicidade de culturas que descobrimos nesse lugar ao realizarmos esse trabalho, vimos quão rico um trabalho o torna quando o fazemos de mente aberta, respeitando e aceitando o  que as pessoas lhes oferece tanto em conhecimento, experiências, afinidades, costumes etc.

Por fim, chegamos à conclusão de que o espaço geográfico é composto de lugares próprios de cada pessoa ou grupo. O Mercado Municipal de Barrocas é um claro exemplo, como foi visto anteriormente, assim como muitos outros espaços que nos passam despercebidos e fica evidente também que a vida em sociedade por mais “livre” que pareça ser não deixa de está sendo controlada por algum fator, direto ou indiretamente.

 

 

IMAGENS DO LUGAR EM QUESTÃO

 

Vista da frente do Mercado Municipal de Barrocas

Foto: Adineide Oliveira

 

Compartimento dos Cereais

Foto: Adineide Oliveira

 

 

 Vista de outro ângulo do mesmo compartimento acima

Foto: Adineide Oliveira



Escrito por vam.silva às 11h45
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Compartimento das variedades

Foto: Adineide Oliveira

 

  

Vista de outro ângulo do compartimento das variedades

Foto: Adineide Oliveira

 

Vista de uma das portas que liga um compartimento ao outro (interior)

Foto: Adineide Oliveira

 

 

Referências:

 

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: história e geografia. Brasília; DF: MEC/SEF, 1997.

 

JOSGRILBERG, Fabio B. Cotidiano e invenção: os espaços de Michel de Certeau. São Paulo: Escrituras Editora, 2005.

 

 

 

Produzido pela equipe:

Adineide Oliveira, Arlete Sena, Cláudia Geane, Maria Núbia Góis, Solange Couto e Vamécia Silva.  

 



Escrito por vam.silva às 11h26
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